Fotoconversar #10

Tapioca-2

Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

– Thiago de Mello –

Trabalho e Ternura

O suor do rosto como expressão de trabalho vem desde tempos remotos, expressando sua necessidade e importância para as pessoas.

Além de garantir o sustento, que é a contrapartida pela ação desempenhada, também gera uma satisfação íntima por se ter cumprido o dever.

Ação humana onde a sua falta agride mais que o excesso, é inegavelmente uma necessidade à completude da vida.

Pode ser simples ou complexo, físico ou intelectual, mas quando realizado com empenho merece o bônus adequado ao esforço e à boa vontade despendidos em sua execução.

O melhor dos mundos seria se tivéssemos aquele “amor infinito” por tudo o que fazemos. Mas, nem sempre é assim, nem sempre podemos escolher. Nem sempre somos donos dos fatos e acontecimentos. Podemos sim é fazer melhor aquilo que nos compete.

Percebendo que a vida é composta dos pequenos agoras, de momentos que nos completam e preenchem, dedicação e empenho sempre farão a diferença.

Aliar ternura ao trabalho nos eleva da posição de cumpridores para a de realizadores.

É o ir além, e quem vai além cresce pois aprendeu a voar.

Luiz Zanon

Fotoconversar #9

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo VIII   
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

– Thiago de Mello –

A dor-distância

Sofrer de lonjuras, expressão do inigualável Guimarães Rosa, é a busca insana das distâncias não percorridas.

A lonjura está dentro de você e mais, está encravada naquele lugar que não é alcançado pelo olhar, ou tampouco pelos pés.

É o vazio quilométrico que não permite aproximação. É o mar desertificado que não refresca e, muito menos mata a sede. Deserto escaldante, sem sombra e sem abrigo.

Sal – Sol – Mar – Areia – Mundo – Caminhos – lonjuras…

Estender a mão ao outro ou aceitar a mão estendida em nossa direção são os antídotos para se quebrar o mal da lonjura que aflige e entristece tantos corações.

A fixação neste ou naquele ponto do caminho nos distancia do mundo a percorrer.

Tudo à nossa volta é movimento, então, lancemo-nos no espaço para pavimentar caminhos novos, para quebrar barreiras e diminuir distâncias.

Somente a ação bem direcionada pode alterar o quadro de distanciamento que nós mesmos nos impusemos.

Viver é coletivo, mas crescer é uma construção individual e solitária. Somos nós, ao mesmo tempo, apoiados e enfrentando o mundo à nossa volta. Mesmo dependentes de olhares amigos, de afagos, de amparo e apoio estamos sós, sempre sós.

Individualidades em busca de nosso próprio descobrimento – o tão sonhado “conhecer-se a si mesmo”.

Nós e nossas decisões. Escolhas que trazem na bagagem a carga das consequências, companheiras de viagem, como fardos impositivos que são sempre uma reação à lei natural das ações empreendidas.

Ações e reações, escolhas e consequências, dúvidas e certezas diuturnamente ao nosso lado.

Mas o essencial é que o caminho se faz ao caminhar. Essencial corrigir rotas, buscar novas terras.

Lembrando sempre que: “navegar é preciso, viver não é preciso”. A vida não traça caminhos rígidos, ela nos dá liberdade de escolher entre os diversos nortes, mas nos aguarda na chegada para a devida prestação de contas.

Um caminho que nem sempre é completo, está constantemente a se refazer, como deduzimos nas palavras de Mário Quintana:

“Enquanto o poema não termina/ A rima é como uma esperança/ Que eternamente se renova…” (Aula Inaugural).

À luta e sempre em frente.

Luiz Zanon

Fotoconversar #8

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo VII  
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

– Thiago de Mello 

 

Sobre o nascer do Sol.

O dia começa, eu começo.

Uma luz diferente a cada dia, nem tanto por ela, mas por nós mesmos que já não somos mais os mesmos de ontem.

Já carregamos em nós a experiência do dia percorrido, uma vivência que proporciona, a quem tem olhos de ver, um crescente enriquecimento pessoal. Seja em função das alegrias, das vitórias, dos fracassos ou dos contratempos sempre fortalecedores.

Alegria, gratidão, tristezas, mágoas e tantos outros acontecimentos educadores do ser completam nossa certeza de que já não somos mais o que éramos a poucas horas.

Aprender sempre, se possível com entendimento do ambiente e de tudo o que nos rodeia, incluindo aí a aceitação daquilo que não podemos modificar.

Trabalhar caleja as mãos, evoluir caleja a alma. Somente evoluiremos se formos suficientemente determinados em buscar o novo a cada dia.

Mãos, e sentimentos, fortes são o resultado de um fazer repetitivo, não de uma rotina incômoda e estressante, mas do repetir diferentemente as mesmas ações, mesmo que cada passo seja nos mesmos lugares, nos mesmos caminhos, nas mesmas atividades. O que tem que mudar é o empenho e a dedicação neste fazer e isso inclui uma vontade renovada de fazer mais e melhor aquilo que denominamos obrigação.

Ser melhor começa com um fazer melhor.

Dar brilho novo ao agir cotidiano nos faz melhores, mais pacientes e mais fortes se formos perseverantes em conduzir, mesmo que diariamente, ações iguais com força nova com e novo olhar.

O tempo gasto em fazer bem feito e fazer mal feito é praticamente o mesmo. A diferença significativa é que com o primeiro crescemos e evoluímos, mas quando é o segundo quem dá as ordens sofremos e nos decepcionamos pois tudo cairá repetitivamente na rotina.

E aí entendemos que: “nada muda se você não mudar”, seja melhor, faça melhor, veja melhor que tudo melhora.

É a diferença entre viver e apenas existir: a escolha é nossa.

Luiz Zanon

Fotoconversar #7

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo VI  
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

– Thiago de Mello 

Devaneios de Antagonismo

Sol e Lua.

Luz e sombra.

Dia e noite.

Claro e escuro.

Amanhecer e entardecer,

Antagônicos no caminhar.

Opostos na mesma luz.

Indispensáveis ao viver.

Distantes, coexistem em harmonia;

Separados; alimentam-se e energizam-se.

Em lados opostos equilibram-se.

Juntos, anulam-se.

Um brilha, o outro reflete.

Um é amigo das estrelas;

O outro, a própria estrela.

Na luz de ouro convivem, olhar distante.

Encontram-se no eclipse.

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Assim como o lobo e o cordeiro, o sol e a lua representam os diferentes, os opostos.

Ser diferente não é ser inimigo, é apenas alguém que tem um pensar que, em muitos casos, vai além da minha, da sua, da nossa, capacidade de compreensão.

Cada um com sua participação específica no concerto do universo, contribuindo a seu modo para a harmonia e equilíbrio da natureza.

Saber aceitar, saber conviver, saber compartilhar, saber esperar a hora certa, pois cada um tem o seu tempo.

Os humanos, homens civilizados, ainda carecem de perceber que a harmonia somente será alcançada quando as diferenças forem pontos de convergência.

Cada um fazendo o seu melhor, a sua parte.

E aquele que faz o que pode merece o salário da paz.

Luiz Zanon

Fotoconversar #6

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo V  
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

– Thiago de Mello

Amigo,

No dia do amigo muito se falou sobre amigos e amizades.

Várias definições, vários modos de ver e de viver os amigos.

Mas como perceber um amigo?

Um amigo não se percebe, não se procura, apenas sentimos.

É algo que vai além da percepção normal dos relacionamentos, vem de dentro.

Apenas sabemos que é. E pronto.

Amigo é aquele que está a seu lado, mesmo estando distante.

Quilômetros não definem e nem desfazem uma amizade, apenas retardam um pouco o reencontro, que é inevitável para os que vivem na mesma linha de sintonia.

Espaço e tempo são questões momentâneas.

“Mesmo que o tempo e a distância digam não…”

Um amigo é reconhecido no primeiro olhar, são energias que se completam. É uma sintonia quase perfeita mesmo que discordando em um momento ou outro.

No meio de tanta gente neste lugar, neste país ou neste planeta, o reconhecimento de um amigo é seletivo – eu sinto este/esta, Eu me afinizo com este/esta, e não com aquele outro.

Ao se encontrar pela primeira vez algo mágico ocorre entre os seres, como num estalar de dedos, há uma aproximação imediata dos afins, que se fortalecerá no tempo.

É a sintonia, esta linha fina e invisível que une os seres, que aproxima e vincula, para não mais soltar.

Um amigo é aquela pessoa, aquela alma, que você pode passar dias, meses ou anos sem ver, e… O milagre da amizade é maior. Ao se reencontrarem vão se sentar em qualquer lugar, seja pedra, banco, chão ou poltrona e conversar como se não se vissem a poucos minutos.

Quem é amigo, apenas é.

Simples assim.

Afinidade + reconhecimento = sinergia!

Luiz Zanon

Fotoconversar #5

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu. 

        Parágrafo único:  
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino. 

 – Thiago de Mello

Algumas pessoas são, como todo homem deveria ser, criaturas especiais.

Trazem dentro de si uma energia contagiante, e fazem luz onde quer que estejam.

Fazem o bem de modo espontâneo, são naturalmente bons e capazes de impregnar o ambiente com seu positivismo e sua maneira alegre, vibrante e delicada de de seguir a vida.

Ainda assim, sofrem, choram, sentem dor, angústia e medo, mas fazem o bem pelo bem lutando para transformar a vida dos que, dependentes e mais fracos, estão a seu lado fazendo de tudo para que sejam felizes e se realizem nas aventuras e voos de cada dia.

Inspiram confiança. nos fazendo acreditar que o mundo ainda tem jeito, que o homem pode “confiar no homem, como um menino confia em outro menino”.

É a força do exemplo que transforma e inspira.

A estes o universo direciona as grandes surpresas e realizações da vida.

O tempo-vida, não o nosso tempo-homem, se encarregará disso.

Luiz Zanon

Fotoconversar #4

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. 

 – Thiago de Mello –

A esperança é como uma estrada que se abre, para todos nos, deixando-nos livres para trilhar nosso caminho.

A esperança é incansável e libertadora, é paciente e desbravadora, é mansa e lutadora.

Não agride, não fere, não magoa, deixa a cada um o direito de escolher.

Mas é a ação incessante da vontade, de querer voar cada vez mais alto, que nos impulsionará para bem atingirmos nossos objetivos..

E que os girassóis cresçam nas janelas, sempre.

Luiz Zanon

Fotoconversar #3

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo II
“Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.” 

 – Thiago de Mello –

A manhã é a digna experiência do recomeço, do nascer de novo.

A cada dia recebemos uma página em branco para o ‘Livro da vida.

Uma página limpa onde que gravar, o que escrever depende de cada um de nós.

Você é o dono da memória, ato ou fato que gravará nesta folha, neste pedação em branco da vida. Será bom ou ruim, alegre ou triste, merecedora de nossa lembrança ou destinada ao esquecimento?

Não sei, você o sabe.

A sua mão e a sua vontade, às vezes necessitando que seja força de vontade, serão os únicos responsáveis pela sua escrita.

O universo já nos auxilia e, diariamente, disponibiliza um Sol todo novo para que possamos grafar em nossos folhas de vida o que nos couber em realizações.

E nada melhor do que nos sentirmos diariamente em manhãs de domingo.

Paz e luz.

Luiz Zanon

Fotoconversar #2

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Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo I
“Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.”

 – Thiago de Mello –

Esta é a continuidade de uma proposta onde a palavra e a imagem caminharão juntas.

A verdade pode ser entendida como aquela busca da perfeição da imagem.

Mas o que é a perfeição? o que é o correto? o que é o errado?

Basta a técnica para se construir algo que seja entendido e aceito como perfeito.

A busca desta “verdade” é que nos anima a seguir em frente, caminhando, aprendendo e vivendo os anseios e os momentos para os quais nos conduzimos e ao mesmo tempo somos conduzidos.

Luiz Zanon