Fotoconversar #9

Fotoconversar-1 

Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo VIII   
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

– Thiago de Mello –

A dor-distância

Sofrer de lonjuras, expressão do inigualável Guimarães Rosa, é a busca insana das distâncias não percorridas.

A lonjura está dentro de você e mais, está encravada naquele lugar que não é alcançado pelo olhar, ou tampouco pelos pés.

É o vazio quilométrico que não permite aproximação. É o mar desertificado que não refresca e, muito menos mata a sede. Deserto escaldante, sem sombra e sem abrigo.

Sal – Sol – Mar – Areia – Mundo – Caminhos – lonjuras…

Estender a mão ao outro ou aceitar a mão estendida em nossa direção são os antídotos para se quebrar o mal da lonjura que aflige e entristece tantos corações.

A fixação neste ou naquele ponto do caminho nos distancia do mundo a percorrer.

Tudo à nossa volta é movimento, então, lancemo-nos no espaço para pavimentar caminhos novos, para quebrar barreiras e diminuir distâncias.

Somente a ação bem direcionada pode alterar o quadro de distanciamento que nós mesmos nos impusemos.

Viver é coletivo, mas crescer é uma construção individual e solitária. Somos nós, ao mesmo tempo, apoiados e enfrentando o mundo à nossa volta. Mesmo dependentes de olhares amigos, de afagos, de amparo e apoio estamos sós, sempre sós.

Individualidades em busca de nosso próprio descobrimento – o tão sonhado “conhecer-se a si mesmo”.

Nós e nossas decisões. Escolhas que trazem na bagagem a carga das consequências, companheiras de viagem, como fardos impositivos que são sempre uma reação à lei natural das ações empreendidas.

Ações e reações, escolhas e consequências, dúvidas e certezas diuturnamente ao nosso lado.

Mas o essencial é que o caminho se faz ao caminhar. Essencial corrigir rotas, buscar novas terras.

Lembrando sempre que: “navegar é preciso, viver não é preciso”. A vida não traça caminhos rígidos, ela nos dá liberdade de escolher entre os diversos nortes, mas nos aguarda na chegada para a devida prestação de contas.

Um caminho que nem sempre é completo, está constantemente a se refazer, como deduzimos nas palavras de Mário Quintana:

“Enquanto o poema não termina/ A rima é como uma esperança/ Que eternamente se renova…” (Aula Inaugural).

À luta e sempre em frente.

Luiz Zanon

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